Muito se fala sobre a Economia da Cultura e sobre as Cidades Criativas. Termos emergentes que vêm sendo apresentados em seminários, publicações e workshops. Deixando de lado o frisson e o certo modismo que o termo traz, é necessário construir uma agenda para alcançar estes objetivos e metas, que se colocam não somente no cenário internacional, mas que já estão traduzidas e incluídas nas políticas culturais em âmbito nacional, estadual e municipal. Dentre os motes do do Projeto Competências Criativas destaca-se aquele que aponta para a urgente necessidade de profissionalização do setor.

Sabe-se que o Plano Nacional da Secretaria da Economia Criativa do Ministério da Cultura elegeu cinco desafios que se impõem para a construção de uma política pública para a área, quais sejam, o levantamento de informações e dados da Economia Criativa; a articulação e estímulo ao fomento de empreendimentos criativos; a educação para competências criativas; a infraestrutura de criação, produção, distribuição/circulação e consumo/fruição de bens e serviços criativos; e a criação/adequação de Marcos Legais para os setores criativos.

Especificamente sobre a questão da educação para competências criativas, o Plano Nacional de Cultura é assertivo: “O debate acerca da formação para o desenvolvimento de competências criativas merece atenção e aprofundamento. A construção de competências vai muito além da construção e difusão de conteúdos de natureza técnica, envolve um olhar múltiplo e transdisciplinar que integra sensibilidade e técnica, atitudes e posturas empreendedoras, habilidades sociais e de comunicação, compreensão de dinâmicas socioculturais e de mercado, análise política e capacidade de articulação. Esse profissional, com este tipo de formação, ainda é pouco encontrado em nosso país. Há um grande déficit de ofertas e de possibilidades de qualificação nesse sentido”. (Plano Nacional da Secretaria da Economia Criativa: políticas, diretrizes e ações, 2011 – 2014. Brasília, Ministério da Cultura, 2012. 2ª ed. p. 37).

A Casa Una e o Centro Universitário UNA, atentos a este cenário e conscientes de seu papel na transformação da sociedade, unem-se para apresentação do Projeto Competências Criativas, com uma programação capaz de articular discussões contemporâneas internacionais com problemas locais. A parceria de um Centro Cultural e de um Centro Universitário surge justamente das similaridades e complementaridades destes espaços. Ambos são espaços de troca, capacitação, formação de networking e, principalmente, local privilegiado para a criação de conhecimento e inovação. O Centro Universitário – local de formação profissional - possui excelência no ensino, enquanto aos Centros Culturais cabe a função de integrar temáticas transversalmente por meio das artes.

O projeto encontra-se estruturado em três eixos de atividades: Ciclo de Workshops Reflexivos, Ciclo de Palestras e Seminário de encerramento.

O primeiro eixo, visa investir na formação aprofundada de agentes e lideranças culturais de setores estratégicos da cultura do Estado de Minas Gerais. Prevê a realização de um Ciclo de Workshops Reflexivos, com palestrantes nacionais e internacionais, reunindo em oito módulos profissionais com relevante trajetória no setor cultural para a qualificação de participantes previamente selecionados, como multiplicadores e ativadores desta cadeia. A seleção dos participantes se deu por meio de convite, a partir de mapeamento do cenário cultural do Estado e posterior entrevista com análise de currículo, experiência profissional e disponibilidade de participação, por uma Comissão formada por representantes da Coordenação do projeto, da Casa Una de Cultura, do MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal e da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte.

Com base na formação desse grupo previamente selecionado, entendido como potenciais multiplicadores, será estimulada – a partir das trocas de conhecimentos e experiência entre eles e com os convidados nacionais e internacionais – a formação de redes transversais e temáticas para a problematização da cadeia cultural de Belo Horizonte e do Estado de Minas Gerais, tendo como premissa levantar novas proposições, alternativas e intercâmbios.

O conceito inicial do programa Competências Criativas tem como base a construção coletiva do processo formativo a partir das necessidades levantadas pelos participantes do grupo, orientados por uma coordenação pedagógica especializada, que considera a riqueza da interdisciplinaridade do próprio grupo, além de uma leitura afinada da conjuntura atual do mundo das artes e da cultura. Os participantes, previamente selecionados, são estimulados a discutir a partir de novos olhares e de novas abordagens os temas centrais e transversais do setor cultural no Brasil e no mundo. Busca-se a construção de conhecimento em rede com o objetivo que este seja compartilhado e retransmitido a um público mais abrangente em um momento posterior.

Desta forma, com exceção do primeiro palestrante internacional do programa, os demais palestrantes, nacionais e internacionais, com expertise nas respectivas áreas de atuação, serão indicados pelos participantes que foram selecionados para o programa. Assim, o conceito de construção colaborativa para a definição do conteúdo e quem irá ministrá-lo já se torna uma premissa do próprio processo formativo que, de forma participativa, fomenta a pesquisa e a interação entre os próprios membros do grupo.

O segundo eixo é composto por um Ciclo de Palestras para agentes criativos – artistas, gestores públicos e privados, pesquisadores, estudantes e empresários –, com a perspectiva de contribuir para o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva da cultura no Estado de Minas Gerais e serão ministradas pelos mesmos profissionais condutores dos workshops.

O terceiro eixo, por fim, prevê a realização do Seminário Competência Criativas, no encerramento do projeto, gratuito e aberto ao público alvo por meio de inscrição prévia. Os participantes do primeiro eixo do projeto serão instigados a contribuir para a democratização do acesso ao conhecimento adquirido ao longo do período de um ano, participando como expositores de painéis temáticos do Seminário, considerado o momento em que esses conhecimentos serão discutidos e expostos para uma reflexão coletiva.

Todo o processo contará com registros videográficos que serão posteriormente publicados neste site.